Justiça manda evacuar prédio histórico na Oscar Freire (SP) e caso expõe risco estrutural após anos de ocupação.
Na região dos Jardins, área nobre da cidade de São Paulo (SP), a Justiça determinou a desocupação imediata de um prédio localizado na esquina das ruas Oscar Freire e Peixoto Gomide, após laudos técnicos indicarem risco estrutural e possibilidade de desabamento. O imóvel vinha sendo ocupado há anos por dezenas de famílias em situação de vulnerabilidade social e passou a ser considerado uma ameaça à segurança dos moradores e da vizinhança.
A decisão judicial foi fundamentada em relatórios da Defesa Civil municipal que identificaram deterioração estrutural significativa, incluindo sinais de instabilidade, insalubridade e desgaste avançado da edificação. Diante desse cenário, o Tribunal de Justiça de São Paulo autorizou o cumprimento imediato da ordem de desocupação, podendo inclusive haver apoio policial para garantir a retirada das famílias do local, caso necessário.
O prédio abriga cerca de 30 a 33 famílias e já vinha sendo monitorado por órgãos públicos há anos. Desde 2018, equipes da Secretaria Municipal de Habitação realizam acompanhamento da situação, buscando alternativas para retirar os ocupantes de forma assistida. Em setembro de 2025, foi firmado um acordo para desocupação voluntária, acompanhado do pagamento de auxílio-aluguel às famílias cadastradas. No entanto, a saída definitiva não ocorreu, o que levou à nova decisão judicial.
O histórico do imóvel revela uma situação complexa e prolongada. O edifício, construído na década de 1950, ficou desocupado por anos após disputas judiciais entre proprietários. Em 2015, grupos de sem-teto ocuparam o prédio, alegando abandono do imóvel. Na época, o edifício já havia sido interditado anteriormente por questões de segurança e permanecia sem uso regular desde o fim dos anos 2000.
Além do risco estrutural, a situação social também preocupa autoridades. A Prefeitura de São Paulo informou que continua oferecendo suporte às famílias por meio da rede socioassistencial, incluindo acesso a programas sociais e acompanhamento educacional para crianças. O auxílio-aluguel segue sendo pago, e os moradores cadastrados recebem orientação para buscar novas moradias adequadas e seguras.
Casos como esse têm se tornado cada vez mais frequentes em grandes centros urbanos, especialmente em regiões onde imóveis permanecem abandonados por longos períodos. Edificações desocupadas e sem manutenção adequada tendem a sofrer deterioração estrutural acelerada, aumentando o risco de acidentes e desabamentos. Para síndicos e administradores prediais, o episódio reforça a importância de inspeções técnicas periódicas e manutenção preventiva, principalmente em prédios antigos ou com histórico de interdição.
Do ponto de vista jurídico e urbanístico, a desocupação também reacende debates sobre reintegração de posse, função social da propriedade e responsabilidade dos proprietários quanto à conservação de imóveis. A tendência é que casos semelhantes resultem em maior fiscalização e exigência de laudos técnicos atualizados, sobretudo em regiões densamente ocupadas.
O desfecho do caso ainda depende da execução prática da ordem judicial e do realocamento das famílias. Entretanto, especialistas avaliam que a prioridade imediata é evitar acidentes estruturais, garantindo a integridade física dos moradores e das pessoas que circulam na área, considerada uma das mais movimentadas e valorizadas da capital paulista.
Fonte: UOL Notícias