Inadimplência condominial bate recorde e chega a 11,95% em 2026.
Em 2026, a inadimplência condominial atingiu um dos patamares mais altos da história recente do setor: 11,95% das unidades registraram atraso superior a 30 dias no pagamento da taxa condominial, conforme levantamento divulgado pela plataforma Cálculo Judicial Online com base em dados do primeiro semestre. O cenário preocupa administradoras, síndicos e moradores adimplentes que acabam sendo os maiores prejudicados quando o caixa do condomínio encolhe.
O dado contrasta com a relativa estabilidade da economia nacional. Mesmo com a gradual queda da Selic e a recuperação do emprego formal, o impacto acumulado de três anos de alta das taxas condominiais comprometeu o
orçamento de uma fatia crescente da população que vive em condomínios. Desde 2022, a cota mensal média no Brasil subiu 26,3%: de R$ 413 para os atuais R$ 522. Em apenas três anos, o custo de morar em condomínio aumentou mais do que a inflação acumulada do período.
Conforme pesquisa da A Gazeta publicada em março de 2026, a projeção para o restante do ano é de que o índice permaneça na faixa de 11%, consolidando um patamar estruturalmente elevado. As regiões Norte e Nordeste lideram as taxas de inadimplência, enquanto o Sul do país registra os menores índices. A diferença regional reflete tanto o poder aquisitivo médio mais baixo quanto a menor formalização dos contratos de prestação de serviço em algumas regiões.
Entre os fatores apontados pelos especialistas estão o encarecimento das cotas condominiais, puxado pelo aumento dos custos com energia elétrica, mão de obra de porteiros e zeladores, e reajuste nos contratos de manutenção, além da pressão geral sobre o orçamento doméstico. A inadimplência cria um ciclo vicioso: quanto mais moradores deixam de pagar, maior a pressão sobre os adimplentes, que podem ser chamados a arcar com taxas extras ou ver serviços essenciais serem cortados.
Para enfrentar o problema, condomínios e administradoras têm adotado estratégias variadas. Parcerias com garantidoras de crédito condominial, que antecipam o repasse da cota mesmo em caso de inadimplência, ganham
popularidade. Negociações diretas com devedores antes da judicialização reduzem custos e prazos. Alguns condomínios passaram a realizar assembleias específicas para tratar da saúde financeira e aprovar fundos de reserva emergenciais.
No âmbito legislativo, um projeto de lei em tramitação no Congresso Nacional propõe criar um fundo federal garantidor contra inadimplência condominial no programa Minha Casa, Minha Vida, com capacidade de concentrar até R$ 500 milhões de recursos da União. A medida ainda aguarda votação, mas sinaliza o reconhecimento do problema como questão de política habitacional, e não apenas de gestão privada.
Para síndicos e administradoras, o recado é claro: o monitoramento da inadimplência precisa ser mensal e sistemático. Acordos antes da cobrança judicial são, em geral, mais rápidos, menos custosos e mais eficazes para o equilíbrio financeiro do condomínio. A judicialização deve ser tratada como último recurso após esgotadas as tentativas de composição amigável, e nãocomo atalho administrativo.
Cálculo Judicial Online, A Gazeta Imóveis, InfoMoney