Galeria tradicional do Centro pode virar moradia: projeto quer transformar salas vazias em apartamentos e reacender a vida no coração da capital Gaúcha.
No Centro Histórico de Porto Alegre (RS), uma das galerias comerciais mais tradicionais da região pode ganhar um novo destino para dezenas de salas atualmente vazias. Um estudo em andamento avalia a possibilidade de transformar unidades comerciais desocupadas em apartamentos compactos, em uma iniciativa que pode alterar o perfil de uso do prédio e contribuir para a revitalização urbana do entorno.
A proposta surge em um contexto de esvaziamento progressivo de espaços comerciais no Centro da capital gaúcha, tendência intensificada após a pandemia e agravada por mudanças no comportamento do consumidor e pela migração de empresas para outras regiões da cidade. Galerias que já foram referência de comércio e circulação intensa de pessoas passaram a enfrentar queda no número de lojistas e aumento significativo de salas fechadas.
A ideia em análise prevê adaptar esses espaços ociosos para uso residencial, criando unidades compactas, como studios, lofts ou kitnets, que atendam a novos perfis de moradores, como estudantes, jovens profissionais e pessoas que buscam proximidade com transporte público e serviços urbanos. A conversão das unidades ainda depende de estudos técnicos e aprovação em instâncias administrativas e condominiais.
Essa iniciativa se conecta a uma tendência já observada em outras partes do Centro Histórico, onde legislações recentes passaram a permitir a transformação de salas comerciais em unidades residenciais, desde que respeitados critérios técnicos e legais. Entre as exigências, estão adaptações estruturais, adequação às normas de segurança e aprovação em assembleia condominial, quando aplicável.
O movimento também dialoga com estratégias mais amplas de revitalização do Centro, que buscam aumentar a ocupação dos imóveis e ampliar a circulação de moradores permanentes. Especialistas em urbanismo defendem que o uso misto, combinando comércio, serviços e moradia, é fundamental para devolver vitalidade às áreas centrais e reduzir a sensação de abandono em determinados períodos do dia.
Além do impacto urbanístico, a transformação das salas em residências pode representar uma oportunidade econômica para proprietários e investidores. Unidades compactas têm se destacado no mercado imobiliário local, especialmente por oferecerem preços mais acessíveis e alta demanda para locação, tanto tradicional quanto temporária.
Por outro lado, o projeto também levanta desafios técnicos e jurídicos. A conversão de unidades comerciais em residenciais exige mudanças em sistemas hidráulicos, elétricos e de ventilação, além de adequações às normas de acessibilidade e prevenção contra incêndios. Em edifícios mais antigos, essas adaptações podem exigir investimentos significativos e planejamento detalhado.
Outro ponto sensível envolve a convivência entre usos diferentes dentro do mesmo edifício. Galerias que mantêm parte das lojas em funcionamento precisam avaliar impactos na circulação, segurança e manutenção das áreas comuns. Síndicos e administradores terão papel fundamental na análise de viabilidade e na condução das assembleias necessárias para aprovação das mudanças.
Se o projeto avançar, a transformação pode representar um marco simbólico para a recuperação do Centro Histórico de Porto Alegre, reforçando uma tendência de reocupação urbana baseada na reutilização de espaços já existentes, em vez da construção de novos edifícios. A iniciativa também pode servir como modelo para outras galerias e prédios comerciais que enfrentam altos índices de vacância.
Para especialistas do setor imobiliário e da gestão condominial, o caso deve ser acompanhado de perto, pois pode abrir precedentes importantes para mudanças regulatórias e para a redefinição do papel dos centros urbanos na vida contemporânea.
Fonte: GZH