Carro pega fogo dentro de condomínio e ameaça residência na zona sul de Londrina.
Um incêndio com origem inusitada e desfecho preocupante mobilizou o Corpo de Bombeiros de Londrina (PR) na noite da última terça-feira, dia 29 de abril de 2025. O fogo começou no carro de uma família residente em uma casa localizada dentro de um condomínio horizontal na zona sul da cidade, quando o próprio proprietário deu a partida no veículo. As chamas se espalharam rapidamente, atingindo o forro da residência e destruindo completamente o automóvel antes que as equipes de combate pudessem intervir. Os três moradores, um homem, uma mulher e uma adolescente, conseguiram sair sem ferimentos. Segundo informações do Portal Tarobá, os bombeiros foram acionados e controlaram o incêndio, evitando que o fogo se alastrasse para imóveis vizinhos.
O episódio não é um caso isolado. Em novembro de 2021, dois carros de luxo, uma BMW 330E e uma Mercedes-Benz GLE 400D, foram completamente destruídos no condomínio Royal Forest, também na zona sul de Londrina, após o incêndio de um veículo elétrico que estava sendo carregado de forma incorreta, na tensão errada. O prejuízo foi controlado pelos bombeiros, que evitaram por pouco a propagação às residências vizinhas. Episódios como esses evidenciam uma vulnerabilidade crescente nos condomínios horizontais e verticais brasileiros: a garagem e o entorno residencial como zonas de risco subestimadas.
O aumento da frota de veículos, especialmente modelos mais antigos com sistemas elétricos desgastados, amplia as chances de incêndios espontâneos em ambientes fechados ou semiabertos como garagens e vagas cobertas. Quando o sinistro ocorre dentro de um condomínio, as consequências jurídicas, patrimoniais e de segurança coletiva são significativamente maiores do que em vias públicas. Segundo o Código Civil brasileiro, o síndico é o responsável legal pela conservação e guarda das partes comuns do condomínio, incluindo garagens e áreas de circulação de veículos. O artigo 1.348, inciso IX do Código Civil estabelece essa obrigação de forma expressa, o que pode fundamentar responsabilizações civis caso o gestor não adote medidas preventivas adequadas.
A legislação brasileira também determina que todos os condomínios devem contratar seguro contra incêndios e destruição total ou parcial da edificação, e a responsabilidade por essa contratação recai diretamente sobre o síndico. Entretanto, especialistas alertam que o seguro predial padrão cobre as áreas comuns, como jardins, áreas de lazer e garagem coletiva, mas em geral não abrange o conteúdo das unidades nem os veículos dos moradores, o que significa que, em casos como o de Londrina, os danos ao carro e ao imóvel podem recair integralmente sobre o próprio condômino, a menos que ele tenha contratado apólice específica.
Além dos riscos com veículos convencionais, o cenário se complexifica com a chegada em massa dos carros elétricos aos condomínios brasileiros. Em março de 2026, um incêndio em um veículo elétrico na garagem de um condomínio em Teresina (PI) gerou prejuízos estimados em R$ 1 milhão, segundo o Portal SíndicoNet. O debate sobre a regulamentação segura do carregamento desses veículos em garagens condominiais ainda está em construção no Brasil: o Corpo de Bombeiros de São Paulo anunciou a publicação de recomendações técnicas específicas para instalações de recarga, e entidades como SindusCon-SP e Secovi-SP formaram grupos de trabalho para elaborar normas de prevenção. A Norma Regulamentadora NR 23, que trata de proteção contra incêndios em edificações, impõe ao síndico obrigações como manter o Certificado de Aprovação do Corpo de Bombeiros atualizado, realizar simulados periódicos com moradores e funcionários, e garantir que extintores, alarmes e sistemas de sinalização estejam operacionais.
Para os síndicos, o alerta é claro: incêndios em garagens e áreas cobertas de condomínios raramente anunciam sua chegada. A combinação de veículos com manutenção deficiente, instalações elétricas antigas e ausência de sistemas automáticos de detecção de fumaça cria um ambiente propício para tragédias. Especialistas recomendam a revisão periódica das instalações elétricas das vagas de garagem, a inspeção dos sistemas de combate a incêndio, a atualização do regimento interno com normas específicas para o uso das garagens e a conscientização regular dos moradores. A rápida ação dos moradores da zona sul de Londrina, ao chamar os bombeiros assim que as chamas começaram, foi determinante para que o incêndio não tivesse consequências ainda mais graves. Mas nem todo condomínio terá essa sorte, e a prevenção continua sendo a única garantia real de segurança coletiva.
Fonte: Portal Tarobá - G1