Balneário Camboriú tem imóveis de R$ 10,8 milhões e valorização de 47%.
Balneário Camboriú, no Litoral Norte de Santa Catarina, voltou a registrar uma das valorizações imobiliárias mais expressivas do país nos primeiros cinco meses de 2026. Levantamento divulgado nesta quarta-feira (17) pela Loft, empresa de tecnologia e serviços financeiros voltada ao setor imobiliário, mostra que os apartamentos e casas com mais de 125 metros quadrados foram os que mais se valorizaram na cidade, com alta média de 42,4% em comparação ao mesmo período de 2025. O tíquete médio dessa categoria de imóveis chegou a R$ 4,8 milhões.
O estudo analisou 9.556 anúncios residenciais publicados nas principais plataformas digitais entre janeiro e maio de 2025 e de 2026, considerando o conjunto de imóveis ofertados na cidade. Quando somadas todas as faixas de metragem, o tíquete médio em Balneário Camboriú chegou a R$ 2 milhões, com valorização geral de 23,4% no período — menos da metade do índice registrado pelos imóveis maiores.
Os dados também mostram diferenças relevantes entre bairros. Na Praia do Estaleiro, a valorização dos imóveis acima de 125 metros quadrados chegou a 47,8% em um ano, o maior índice entre as regiões analisadas, levando o tíquete médio a R$ 10,8 milhões. Em seguida aparecem Nova Esperança, com alta de 24,1% e tíquete médio de R$ 5,4 milhões, e a Barra Sul, que registrou valorização de 23,5% e tíquete médio de R$ 9,1 milhões — além de concentrar o maior volume de anúncios da categoria, com 946 imóveis. O bairro das Nações teve alta de 21,5%, com tíquete médio de R$ 1,9 milhão, enquanto Taquara e Ariribá registraram valorização de 12%, com tíquetes médios de R$ 5,4 milhões e R$ 3,2 milhões, respectivamente. Já o Centro, região que concentra o maior volume de anúncios residenciais da cidade considerando todas as metragens, teve valorização de 10% nos imóveis acima de 125 metros quadrados, com tíquete médio de R$ 4,7 milhões.
Segundo Fábio Takahashi, gerente de dados da Loft, Balneário Camboriú se comporta de forma diferente da maioria das cidades monitoradas pela empresa. De acordo com ele, os imóveis maiores atraem um público de alta renda com pouca dependência de financiamento bancário, o que sustenta a valorização mesmo em um cenário de juros elevados. Ao mesmo tempo, os imóveis compactos seguiram trajetória oposta: as unidades de até 30 metros quadrados foram a única faixa a registrar queda nos preços anunciados, com recuo de 3% no período, ainda que o valor médio dessas unidades tenha chegado a R$ 814 mil, patamar que, segundo a Loft, supera o tíquete médio geral de cidades como Porto Alegre e Goiânia e ajuda a explicar a retração da demanda nesse segmento.
As demais faixas de metragem também tiveram valorização no período: imóveis entre 100 e 125 metros quadrados subiram 27,6%, os de 30 a 65 metros quadrados avançaram 19,4% e os de 65 a 100 metros quadrados tiveram alta de 9%.
Para o mercado condominial catarinense, o movimento reforça uma tendência observada em empreendimentos de alto padrão no litoral: imóveis maiores, voltados a moradores fixos ou investidores de longo prazo, têm sustentado a valorização patrimonial mesmo em ciclos de juros elevados, enquanto unidades compactas, historicamente associadas a investidores de temporada e locação por curto prazo, perdem força. A combinação tem efeito direto sobre a gestão condominial: empreendimentos com tíquetes médios entre R$ 5 milhões e R$ 10 milhões tendem a concentrar taxas condominiais mais altas, fundos de reserva robustos e demandas crescentes por segurança patrimonial, manutenção predial e serviços de portaria e zeladoria qualificados, fatores que já colocam Balneário Camboriú entre as cidades com taxa de condomínio mais cara do país, segundo levantamentos anteriores do próprio setor.
Para síndicos, conselheiros e administradoras que atuam na cidade, o cenário sugere atenção redobrada à precificação de serviços e à comunicação com moradores sobre o porquê do aumento de custos de manutenção em empreendimentos de alto padrão, já que a valorização do imóvel tende a vir acompanhada de exigências mais altas de qualidade na gestão condominial. Já para investidores, os dados indicam que as unidades compactas, antes vistas como porta de entrada de baixo custo no mercado de Balneário Camboriú, perderam parte do apelo, um movimento que pode se repetir em outras cidades litorâneas de perfil semelhante caso a tendência se confirme em levantamentos futuros da Loft.
Fonte: ND Mais